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Daniel Apolinario,
34 anos, consultor
Como tirou a licença: dono do seu próprio negócio, conseguiu negociar com os clientes 32 dias de licença. Suspendeu reuniões presenciais e trabalha de casa até hoje. 
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Foto: arquivo pessoal

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Eu dizia para a minha mulher que eu estava tendo uma gravidez empática. Eu sentia muita fome, ânsia, tinha gases, tive tontura. Para mim o parto foi muito intenso. Foram 17 horas, eu vi tudo e queria ajudar, mas via que era tudo com ela. A enfermeira pediu para eu deixar ela sozinha na partolândia. Se pudesse parir por ela, eu paria.​
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Eu entraria num dilema moral muito grande caso não tivesse conseguido entrar de licença. Talvez a ponto de pedir demissão, sobreviver do que desse. Acho que é cruel ter que ir trabalhar poucos dias depois que a sua filha nasceu. Vê-la por pouquíssimas horas por dia. Não consigo nem imaginar, acho que seria um terror.
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O puerpério foi complicado porque não havia muito espaço para eu demonstrar as minhas fragilidades. Para mim também estava difícil, e eu também queria ser ouvido, e não só ouvir. O pai fica meio escanteado nessa história, mas a gente também está passando por uma transformação. É natural que as pessoas queiram saber mais da mãe, mas não foi uma fase fácil pra mim também.
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E tem a quarentena, que não é bem uma quarentena. A verdade é que a volta da atividade sexual demora muito mais do que 40 dias. A gente fica sem disposição emocional, nem disposição física, nem tempo mesmo. A parte afetiva do casal fica escanteada, pois o foco vai todo para o bebê e para entender e se adaptar a esse novo momento da vida a três.

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"Eu percebo que a minha filha está crescendo pelo tamanho da minha unha do pé. Porque eu não tenho mais tempo de cortar a unha. É intenso."

 ME DÁ LICENÇA - © KARIN HUECK

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