O que é um homem perfeito?
Não são os filhos que atrapalham a carreira das mulheres - são os parceiros.

“Um paizão da porra nada mais é do que uma mãe normal”. Essa frase, repetida tantas vezes por mulheres sobrecarregadas, infelizmente tem seu fundo de verdade. Quantos homens você conhece que vestem, banham, cozinham, preparam lanche e compram a roupa nova dos filhos, além de saber o nome da coordenadora do colégio e o endereço do pediatra de cor? Poucos, aposto. E quantas mães fazem tudo isso? É difícil encontrar arranjos familiares realmente igualitários por aí.

 

Ao mesmo tempo, alguns estudos já provaram que não é a chegada dos filhos que atrapalha a carreira das mulheres - e, sim, o perfil dos maridos dessas mães. Uma pesquisa da Harvard Business School, de 2014, acompanhou a trajetória profissional de 25 mil pessoas. De acordo com ela, o fator que mais tinha influência sobre o sucesso profissional das mulheres com filhos era o fato de o homem assumir, ou não, a sua parte das tarefas de cuidado e do lar.

 

O estudo mostra que, no começo da vida profissional, quase todas as mulheres acreditavam que teriam carreiras equivalentes às dos seus parceiros. De fato, quando essas profissionais tiveram filhos, a maior parte delas decidiu não parar de trabalhar, só 11% saiu do mercado para cuidar da prole. O que veio depois é que surpreendeu. Ao mesmo tempo em que a carreira dos homens se tornou a prioritária, as mulheres começaram a declarar que faziam o grosso do trabalho não-remunerado, dentro de casa. De fato, 72% delas disseram que são as principais cuidadoras dos filhos.

 

Ou seja, a carreira dos homens deslanchou assim que eles tiveram filhos - justamente porque havia alguém em casa fazendo o serviço doméstico. A das mulheres, por sua vez, desacelerou. O problema está, é claro, em pressupor que apenas uma pessoa do casal vai ter que assumir a criação dos filhos. Por que é melhor botar o trabalho remunerado nas costas de uma pessoa e o trabalho não remunerado na outra? Por que não dividir tudo igualitariamente?

 

Por isso, o melhor conselho que podemos ensinar às nossas filhas é como escolher seus companheiros. Em vez de procurar alguém que possa “prover” o lar, é mais importante encontrar um parceiro que entenda que, sim, a carreira dele vai ter que desacelerar um pouco com a chegada dos filhos - justamente para que a da companheira não acabe soterrada de vez.

Texto publicado originalmente na Rede Maternativa.

 ME DÁ LICENÇA - © KARIN HUECK