Alexandre Lucas,
46 anos, designer
Como tirou a licença: era CLT na época. Tirou os 5 dias permitidos por lei, e juntou com um mês de férias e mais 10 dias de folga.

Foto: arquivo pessoal

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Num primeiro momento, não senti essa onda de amor incondicional. Até porque você entra numa rotina pragmática. Passa o dia preocupado em realizar as tarefas da melhor forma possível. Sempre com o medo de fazer algo errado. A sensação de que meu filho poderia morrer a qualquer momento naquele período era perturbadora. E se fosse por culpa minha, seria a morte em vida. Pensava muito isso de verdade. 

 

 

Cheguei à conclusão de que muitas mulheres contam com a  ajuda da própria mãe quando um filho nasce, como forma de substituir o papel do marido. Aí vira aquele tipo de machismo que muitos não conseguem ver, pois está encoberto pelo costume.


 

Vi muitos colegas homens dizendo que não se achavam capazes de aprender a cuidar de uma criança. Preferiam ficar como apoio do que botar a mão na massa "para não atrapalhar". Na minha opinião é pura desculpa. 

 

Se eu não tivesse ficado esse tempo com ele teria sido algo bem horrível pra mim. Me preparei muito para isso e seria bem frustrante pra mim se estivesse distante nesse primeiro momento. E não seria saudável até para a relação com a Rê. Sempre tivemos clareza no tipo de família que queríamos construir. Seria um péssimo início.

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“Se um homem é capaz de aprender a passar de fase em um game, aprender a tocar um instrumento ou praticar um esporte novo, qual seria a dificuldade de aprender a cuidar de um bebê?”

 ME DÁ LICENÇA - © KARIN HUECK